Questionário para Revista ORIENTADOR
Renata Silveira
Coordenadora pedagógica
Graduada em Letras e pos graduada em Coordenação/Supervisão pedagógica e em Gestão de Pessoas. Trabalho há 11 anos na área de educação, tendo atuado na educação infantil, educação regular e educação profissionalizante, ministrando e coordenando projetos, principalmente no Terceiro Setor (ONGs)
Coordeno o programa de aprendizagem do CAMP SBC, organização que atende jovens entre 14 e 18 anos, de baixa renda, capacitando-os e inserindo-os no mercado de trabalho como aprendizes, segundo a Lei 10097. São regularmente registrados em CLT, recebem o beneficio de um salário mínimo, convênio médico e odontológico, auxílio transporte e auxílio alimentação.
O curso tem duração semestral, com capacidade média para 600 jovens que após aprovados iniciam a participação no processo seletivo nas empresas parceiras segundo encaminhamento de acordo com critérios acordados entre empresa e CAMP. São hoje, 1100 jovens trabalhando pelo CAMP SBC, além dos recém formados em processo seletivo e dos que estão em curso, totalizando mais de 2000 jovens atendidos.
Temos ainda projetos de oficinas e outros cursos profissionalizantes em parceria com outras Organizações, como curso de Hardware/ manutenção de micros (Data Point); buffet (Instituto Cooperforte), Desenho Técnico, e em breve, cursos de Hidráulica e Elétrica (SENAC).
1) Como você percebe o jovem, hoje em dia, no que se refere ao amadurecimento quanto às escolhas profissionais?
Dentro da concepção de maturidade defendida por Leo Fraiman e discutida com nossos educadores, percebo que o jovem, raramente, dispõe de condições para realizar uma escolha profissional madura. Alguns jovens mostram um desinteresse pelo mundo do trabalho por vários motivos. Um deles á a associação que lhes é incutida entre maturidade e racionalidade, o que os leva muitas vezes à falta de satisfação pessoal e profissional.
Porém, procuramos defender e desenvolver nos alunos o equilíbrio entre a emoção e a racionalidade para uma escolha madura. O jovem precisa aprender a lidar com a angústia da escolha, desmistificar o medo e se posicionar como protagonista de sua própria história. Isto envolve uma perspectiva de educação construtivista, não muito aplicada, porém necessária.
Para escolher algo, a única certeza que temos é do que “abrimos mão” e a insegurança desestabiliza, portanto, se o jovem não tiver sua inteligência emocional bem desenvolvida, preferirá não enfrentar situações de escolha.
Há uma frase que ilustra com exatidão esta idéia: “A não escolha é a pior escolha”
2) Em seu trabalho, que orientações você procura passar para um jovem em processo de escolha de carreira?
Procuro auxiliar o jovem a obter o maior número de informações sobre as profissões, ocupações e carreiras que pode escolher, bem como as condições atuais do mercado de trabalho e os perfis relacionados às oportunidades, além de favorecer o desenvolvimento do auto-conhecimento para identificação de sua personalidade e escolha consciente com base na inter-relação entre vocação e oportunidade.
Procuro ainda desafia-lo e até mesmo provoca-lo a buscar novos referenciais, libertando-se dos padrões pré-estabelecidos, dos preconceitos.
Através de relatos, histórias ilustradas, palestras, procuro ainda demonstrar as vantagens de uma escolha acertada e as desvantagens na falta de planejamento, de projeto pessoal e levá-lo a construir o seu projeto de vida.
3) Qual trabalho junto aos jovens é realizado em sua escola sobre escolha de profissão?
Utilizamos o material O.P.E.E. e Guia do Amadurescente do prof. Leo Fraiman. Cada jovem tem o seu próprio material. Utilizamos o roteiro de atividades sugeridas pelo professor em treinamento aos nossos educadores, e intercalamos com vídeos, trabalhos de pesquisas em universidades, vídeos, entrevistas, simulações de seleção, dinâmicas para o desenvolvimento de competências comportamentais, etc.
4) Em seu trabalho, você acredita em “perfil de sucesso”? O que se procura trabalhar com o jovem neste aspecto?
Acredito que todos são capazes de ter um perfil de sucesso, mas não acredito num determinado “perfil de sucesso”. Destacamos logo no início do curso aos jovens, as inteligências múltiplas e promovemos uma feira expondo trabalhos representando tais inteligências. Os alunos também tiveram espaço de apresentar trabalhos, como poesias, músicas, danças, etc. Verificamos que as inteligências estão inter-relacionadas e que precisam ser desenvolvidas. Temos alguns talentos inatos, porém podemos nos aperfeiçoar nestes e adquiri novas habilidades e competências.
5) Como as novas exigências do mercado de trabalho são apresentadas aos jovens? Como os novos nichos de mercado são apresentados para eles?
Procuramos não apenas apresentar informações aos alunos, mas incentivá-los a produzir conhecimento, buscar, observar e analisar. Algumas fontes de pesquisa são indicadas e alguns trabalhos são realizados individualmente e em grupos, como pesquisas em Universidades, entrevistas com profissionais diversos, matérias atuais, sites. Há um trabalho em andamento onde o aluno além de pesquisar o conteúdo programático de alguns cursos relacionados à área profissional de seu interesse (de acordo com identificação do perfil de personalidade), terá de assumir o papel de “aluno ouvinte” por um aula, aproximando-se assim do contexto universitário, compreendendo responsabilidades e definindo seu projeto de vida.
Temos ainda um Projeto da disciplina Comunicação, chamado “Jornal Mural”, onde os alunos selecionam com a ajuda do educador noticias semanais e classificam-nas por tema, tendo uma parte exclusiva para mercado de trabalho, fazem a resenha das noticias, anexando-a à matéria. Após a manutenção das notícias por uma semana, as mesmas são reunidas num portifólio da turma, que fará posteriormente uma avaliação com questões sobre as matérias, exigindo assim que todos cumpram o combinado da leitura.
Desejamos ainda promover uma feira de profissões com auxílio da família, comunidade e empresas parceiras. Divulgamos aos alunos os eventos que ocorrem e os incentivamos a participar. Pretendemos participar de um destes eventos de forma dirigida com todos os alunos.
6) Quais ações são desenvolvidas na escola para que o jovem mantenha-se informado e integrado quanto aos seus projetos de vida?
Além das ações descritas acima, informamos aos alunos as etapas de um planejamento e incentivamos a aquisição do hábito de planejamento pessoal, principalmente no aspecto profissional, acompanhando o monitoramento do planejamento durante o período em que o aluno está em curso. Pretendemos com isso, levar o aluno a relacionar o sucesso profissional com o trajetória percorrida a partir de um planejamento eficaz.
Os alunos apresentam seus projetos em forma de seminários, a fim de demonstrar as competências individuais e obter reconhecimento através da exposição. O projeto deve contemplar algumas ações indispensáveis como:
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Entrevistas a profissionais, identificando os casos bem-sucedidos e compreendendo a trajetória percorrida por estes
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Situações de rotina junto de um dos profissionais entrevistados e registro das situações relevantes
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Apreciação do depoimento (palestra) de um profissional bem sucedido de origem humilde e relacionar com a história pessoal
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Levantamento das profissões mais destacadas e montar exposição com os registros dos trabalhos (fotos, produtos, cartazes, cruzamento entre expectativas pessoais e profissionais, gráfico histórico profissional) para profissionais convidados
7) Que recado você pode dar para o educador que trabalha com orientação profissional? Em uma frase, o que você diria ao educador que trabalha neste segmento?
Reforço através desta oportunidade, a pedagogia do exemplo: não se pode ensinar aquilo que não se vive. Portanto, o educador tem de estabelecer uma relação sadia e segura com seu aluno, conquistar sua confiança e inovar; deve ser um pesquisador; otimista e dar voz ao alunos, permitindo que este seja autor e co-autor, bem como sujeito responsável por ações e resultados, quer positivas ou negativas em sua trajetória de vida.