E é impossível saber em profundidade todo o conteúdo pedido nas provas, isso é um fato.
Carlos tem uma rotina espartana. Acorda cedo, por volta das 6 horas, vai ao colégio, almoça rapidamente, faz uma pequena pausa para logo depois se debruçar sobre livros e apostilas até às oito horas da noite. Janta e aproveita para ler mais um pouquinho. Esse personagem é fictício, mas qualquer semelhança com a realidade é a mais pura verdade. Realidade que, se o vestibulando não toma cuidado, torna-se uma verdadeira tortura emocional.
“É importante que o aluno tenha a consciência de que é impossível saber em profundidade todo o conteúdo pedido nos exames vestibulares. O volume é enorme e ele se forma ao longo da vida acadêmica do indivíduo, gradativamente”, alerta Eponina Carvalho, psicóloga especialista em orientação vocacional. Para ela, um dos problemas está no sistema de seleção dos candidatos. “O número insuficiente de vagas nas universidades é o principal motivo de o processo seletivo ser cada vez mais exigente, quase desumano”, explica. Portanto, o sucesso no vestibular pode estar, muitas vezes, mais ligado ao equilíbrio emocional do aluno do que propriamente na aquisição e assimilação de conteúdo. “Aqueles mais estáveis emocionalmente podem oferecer melhores condições de organização de vida para dar conta de enfrentar tanta turbulência, sobrecarregada de responsabilidades e cobranças”, acrescenta.
Segundo a orientadora, as escolas podem ter um papel fundamental nesse momento tão especial da vida escolar, investindo em atividades que atenuem o estresse de seus alunos.
No Colégio I.L.Peretz, zona Sul de São Paulo, a atividade é conduzida pela professora de educação física, Rosângela Accioli, contratada especialmente para desenvolver um projeto de expressão corporal com os alunos do 3º ano. “A idéia inicial é fazer um trabalho de conscientização do corpo, usando a técnica de percussão corporal, ou seja, o aluno trabalha o som do próprio corpo e com isso aprende a respirar melhor, mexer as articulações, alongar-se”, conta Accioli. Os adolescentes aprendem também a fazer automassagem com bolinhas de tênis, bambu e até colher de pau. No final da aula, a professora ensina a técnica de meditação tauísta. “É uma estratégia para que os alunos atinjam o relaxamento por meio da concentração, imprescindível nesse momento tenso”, completa.
O Colégio Magno, também na zona Sul da capital, leva o assunto a sério. O professor da escola, Abel Ardigó, realizou mestrado sobre o tema com a pesquisa intitulada “Considerações sobre a aptidão física relacionada à saúde do pré-vestibulando”. Nela, ele acompanhou durante um ano o comportamento de alguns alunos, analisando dados como composição corporal, consumo de oxigênio e condição de estresse do vestibulando - avaliada pelo sono.
Como em muitas escolas os alunos de 3º ano são dispensados das aulas de educação física, Ardigó teve a preocupação de incentivá-los a praticar alguma atividade física. Ele dá dicas de boa alimentação, como equilibrar o horário do sono e faz acompanhamento cardiorespiratório.
“O vestibular representa um desafio físico e emocional e o adolescente precisa ter bom condicionamento. A atividade física bem direcionada se torna uma grande aliada nesse momento”, explica Ardigó, que realiza um trabalho personalizado com os jovens. O leque de opções é vasto: natação, esgrima, hidroginástica, capoeira, musculação e alongamento, escalada, esportes coletivos e até triathlon.
Mais uma vez fica claro que mente e corpo caminham juntos.
Pelo colaborador Tito Abreu 05/10/2005