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Como ser indispensável: Uma fórmula desejada por todos
 
Hoje, um dos principais desejos da humanidade, além de ter saúde e ser feliz, é ter trabalho, afinal, como conseguir realizar os projetos de vida sem recursos financeiros? Se conversarmos com nossos amigos e conhecidos, chegaremos a triste conclusão do quanto esse desejo não é facilmente correspondido pois quantas famílias podem dizer que não possuem alguém desempregado em seu clã?

Quem não tem trabalho quer ter, ao menos quem não se encosta comodamente em alguém, e quem tem dificilmente quer perder o que já possui. Assim, vem a grande questão: Como se tornar fundamental em um grupo, seja trabalhando em uma organização ou como autônomo? Antes de responder a essa pergunta recorro a uma das histórias do treasury of jewish folklore (tesouro do folclore judeu) de Nathan Ausubel: “Certa vez, aconteceu uma desgraça na cidade de Chelm.

O sapateiro da cidade assassinou um dos seus clientes. Ele foi então levado ao juiz, que o condenou à forca. Anunciado o veredicto, um dos cidadãos se levantou e gritou, “Se me permite – Vossa Senhoria acaba de condenar à morte o único sapateiro da cidade! Só temos ele. Se o enforcar, quem vai consertar nossos sapatos?” “Quem? Quem?”, gritaram todos da cidade de Chelm a uma só voz.

O juiz balançou a cabeça concordando e reconsiderou o seu veredicto. “Bom povo de Chelm”, disse ele, “o que dizem é verdade. Visto que só temos um sapateiro seria um grave erro contra a comunidade deixá-lo morrer. E, como existem dois telhadores na cidade, que um deles seja enforcado no seu lugar.”

A postura do juiz da cidade pode ser mais do que questionada, no entanto, no mundo atual as situações são bastante similares a da história, se um profissional não for essencial ele poderá ficar sem trabalho. Mas, o que torna uma pessoa essencial? Diferentes respostas surgem como formação, experiência, senso de trabalho em equipe, empreendedorismo, todas as afirmações estão corretas, no entanto, nada disso importa se um profissional não souber corresponder às necessidades humanas das pessoas, não estou me referindo apenas as dos clientes, mas as necessidades humanas de todo grupo, do porteiro do edifício, do colega que senta a mesa ao lado, do líder da organização.

Para isso acontecer é vital que exista um real interesse por parte de cada um de nós em olhar além do próprio umbigo e daqueles que nos interessam, apenas porque tem alguma utilidade para nós.

Ter interesse em ajudar além do aspecto profissional, ser amigo, saber fazer críticas com diplomacia e discrição, orientar quem precisa, saber ouvir... Características como essas são valiosíssimas e nem sempre bem trabalhadas.

Muitas vezes no pior dia do cliente, do chefe ou do colega de trabalho, quando ele descarrega o pior dele em cima de você e ainda assim você consegue devolver algo de bom para ele, seja uma palavra de incentivo, um comentário otimista ou um silêncio amigo, talvez justamente nesse dia ele consiga perceber o quanto você é fundamental. Porque um dos aspectos mais raros no ser humano atual é, justamente, a sua humanidade.

Sermos competentes naquilo que realizamos nos torna importantes, mas sermos equilibrados na forma de conduzirmos as situações nos torna iluminados. Tal qual afirmou Chuan Tse: “O sábio olha o inevitável e decide que não é inevitável. ...O homem comum olha o que não é inevitável e decide que é inevitável...” Essa não é uma fórmula para ter emprego garantido, mas certamente é uma possibilidade bem mais abrangente de que muitos desejarão nos ajudar a reconquistar o trabalho se este nos faltar, e uma possibilidade ainda maior de sermos pessoas muito mais felizes por realizarmos as nossas atividades com amor. Até a próxima semana.
Lígia Guerra

 
 

 

 
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